Dificuldades à vista
Pescadores ainda estão sem o seguro-defeso
Parte dos trabalhadores artesanais já recebe a terceira parcela do benefício
Infocenter -
No 1 de outubro, o período da piracema encerra e a pesca é novamente autorizada. Apesar da proximidade da data, uma parte dos pescadores de Pelotas, Rio Grande e São Lourenço do Sul estão preocupados. Isso porque desde julho, mais de 340 trabalhadores aguardam o pagamento do Seguro Desemprego do Pescador Artesanal, benefício no valor de um salário mínimo pago anualmente pelo INSS.
Enquanto uma parcela dos pescadores das Colônias Z-3, Z-1 e Z-8 recebeu o benefício, outra parte ainda aguarda por respostas do Instituto Nacional do Seguro Social. O pedido destes trabalhadores foi indeferido sob a justificativa de pendências na documentação. Mas muitos alegam receber o seguro-defeso há décadas, sem passar por qualquer tipo de impedimento.
O número mais expressivo de pescadores ainda sem receber o seguro-defeso é em Rio Grande, na Z-1. Por lá são mais de 200 trabalhadores, muitos estão passando por dificuldades no sustento da casa. Todos os anos, os meses da piracema são dedicados às reformas nas embarcações, pintura e compra de novas redes com foco nas próximas safras. "A primeira safra é a da corvina, e a rede para esse peixe estraga com muita facilidade. Sem receber o seguro, muita gente vai pescar com o que tem", explicou o presidente da Colônia, Santos Oriente.
O sentimento dos profissionais é de desamparo, principalmente por conta da falta de informações advindas do INSS. "Estamos aguardando algo e até agora nada. Não temos mais o que falar para eles (os pescadores). No site, a situação só aparece em análise", contou Oriente.
Em São Lourenço do Sul, na Colônia Z-8, são 40 profissionais sem acesso ao pagamento - a entidade também possui cobertura sobre os municípios de Arambaré, Camaquã e Cristal. O problema da falta de informações também respinga por lá. "Eles estão à deriva e passando por dificuldades. O dinheiro que seria aproveitado para reformar a embarcação está sendo usando para sobreviver", afirmou o presidente, Ivan Kuhn.
Por isso, a próxima safra será ainda mais difícil de começar; para muitos, a pesca iniciará no vermelho, com dívidas. Do gelo para conservar os pescados, às linhas das redes e óleo diesel para os barcos: tudo precisa ser pago à vista. "No passado, anos atrás, as indústrias de pesca ajudavam os pescadores com empréstimos porque ter crédito em banco é muito complicado. Hoje já não tem mais isso e tudo precisa ser pago na hora", explicou Kuhn.
O presidente do Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, Nilmar Conceição, explicou que a entidade está em tratativas com a sede do INSS de Pelotas, a fim de marcar uma reunião on-line para tratar da solução do problema na região.
Sem retorno
A reportagem do Diário Popular tentou contato com o setor de Benefícios da Gerência Executiva do INSS em Pelotas, setor responsável pelas análises, mas não obteve resposta.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário